Folha de São Paulo - 26/02/98


Chico Buarque vira Chico da Mangueira

Chico Buarque assistiu sozinho, em seu apartamento no Jardim Botânico (zona sul do Rio), a apuração que apontou a Mangueira e a Beija-Flor como vencedoras do Carnaval.
Depois do resultado oficial, acenou para fãs que o parabenizavam na rua e deu um autógrafo para o menino Pedro Henrique Hasselmann, de 10 anos, em que assinou: "Um abraço de Chico da Mangueira". Leia trechos da entrevista.

Pergunta - O sr. acompanhou a apuração pela televisão?

Chico - Assisti a tudo sozinho. Quando vi o pessoal da Mangueira se abraçando e chorando, confesso que me deu um aperto no coração. Estou muito feliz por mim, mas principalmente pela Mangueira. Foi um ano de convívio e eu sei a importância que tem esse título, ainda mais no aniversário de 70 anos. Mais tarde vou à quadra dar um abraço no pessoal, curtir um pouco.

Pergunta - Chico Buarque foi o pé quente que a Mangueira precisava para vencer?

Chico - Acho que dei sorte, mas não sou muito de superstição. A Mangueira não ganhou por mim. O clima na escola estava muito bom e eles afirmavam que em 1998 viriam para ganhar.

Pergunta - As pesquisas estavam apontando Mangueira e Viradouro como preferidas. Ficou surpreso com a Beija-Flor?

Chico - Foi uma surpresa. Não sou um grande entendido em escola de samba. Acho que chegar empatado também é bacana.

Pergunta - Gostou da sua atuação no desfile?

Chico - Vi pela TV e gostei. Sábado vou estar na avenida, só que dessa vez é mais relaxado, é só alegria. Hoje de manhã, um rapaz da Mangueira veio buscar meu terno para passar. Acredito que eles já estavam esperando o desfile das campeãs.

Pergunta - Vai desfilar em 99?

Chico - Ainda não sei. Minha história com a Mangueira infelizmente termina agora no sábado. Semana que vem vou trabalhar e a Mangueira vai escolher outro enredo.


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