Chico Buarque vira Chico da Mangueira
Chico Buarque assistiu sozinho, em seu apartamento no Jardim Botânico (zona
sul do Rio), a apuração que apontou a Mangueira e a Beija-Flor como
vencedoras do Carnaval.
Depois do resultado oficial, acenou para fãs que o parabenizavam na rua e deu
um autógrafo para o menino Pedro Henrique Hasselmann, de 10 anos, em que
assinou: "Um abraço de Chico da Mangueira". Leia trechos da entrevista.
Pergunta - O sr. acompanhou a apuração pela televisão?
Chico - Assisti a tudo sozinho. Quando vi o pessoal da Mangueira se abraçando
e chorando, confesso que me deu um aperto no coração. Estou muito feliz por
mim, mas principalmente pela Mangueira. Foi um ano de convívio e eu sei a
importância que tem esse título, ainda mais no aniversário de 70 anos. Mais
tarde vou à quadra dar um abraço no pessoal, curtir um pouco.
Pergunta - Chico Buarque foi o pé quente que a Mangueira precisava
para vencer?
Chico - Acho que dei sorte, mas não sou muito de superstição. A Mangueira
não ganhou por mim. O clima na escola estava muito bom e eles afirmavam que
em 1998 viriam para ganhar.
Pergunta - As pesquisas estavam apontando Mangueira e Viradouro
como preferidas. Ficou surpreso com a Beija-Flor?
Chico - Foi uma surpresa. Não sou um grande entendido em escola de samba.
Acho que chegar empatado também é bacana.
Pergunta - Gostou da sua atuação no desfile?
Chico - Vi pela TV e gostei. Sábado vou estar na avenida, só que dessa vez é
mais relaxado, é só alegria. Hoje de manhã, um rapaz da Mangueira veio buscar
meu terno para passar. Acredito que eles já estavam esperando o desfile das
campeãs.
Pergunta - Vai desfilar em 99?
Chico - Ainda não sei. Minha história com a Mangueira infelizmente termina
agora no sábado. Semana que vem vou trabalhar e a Mangueira vai escolher
outro enredo.
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