Quando Chico era nosso homem na Itália toda semana a gente publicava matéria dele. Era um correspondente aplicado. Me lembro de umas fotos que mandou, posando ao lado de nosso ancestral, o temível Pasquino.

Agora... Liguei para ele pedindo para escrever alguma coisa para o primeiro número do Pasquim paulista. "Minha agenda estourou. Tô enlouquecido, ensaiando o show com Bethânia para o dia 2 em Paris." "Pô, Chico, tremenda sacanagem nos deixar na mão!" "Fazer matéria nem pensar, mas se vocês quiserem um palíndromo..." Palíndromo, como talvez só o Houaiss saiba, é uma frase que significa literalmente o mesmo, seja lida de cá pra lá, como de lá pra cá, da direita para a esquerda. "Levei 5 horas fazendo", disse Chico. "Insônia." Era pegar ou largar. Peguei. E, outra vez por acaso, eis o Pasquim inovando ao publicar o primeiro palíndromo ilustrado. Por outro Chico. (Jaguar)

Pasquim São Paulo Ano XVIII número
13 a 10 de julho de 1986