Notas sobre Roda viva
Por Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello

Letra 

Ao mesmo tempo em que se classificava em terceiro lugar no FIC, com "Carolina", Chico Buarque repetia a colocação no III Festival da TV Record com "Roda Viva". Não seria porém como música de festival e sim como tema de uma peça homônima que "Roda Viva" entraria para a história. Escrita por Chico em 25 dias e montada por José Celso Martinez Corrêa, essa peça estrearia no Teatro Princesa Isabel, no Rio, em 15.1.68. Criticando a situação do artista, triturado pela mídia - o personagem principal, o cantor Ben Silver, é um ídolo inventado e imposto ao público pela publicidade -, o espetáculo teve uma encenação chocante, agressiva e provocadora, pela maneira livre e audaciosa como José Celso tratou o texto, com a aprovação total do autor. Aliás, Chico aproveitaria a oportunidade para se livrar da incômoda imagem de bom moço, que teimavam em lhe impingir. Acontece que apresentada no agitado ano de 1968, quando a radicalização da ditadura caminhava para a edição do AI-5, Roda Viva gerou uma intensa reação de grupos de direita ligados ao regime, que culminou com a agressão aos atores e a destruição dos cenários no Teatro Galpão, em São Paulo, seguidas de novas agressões em Porto Alegre, o que determinou o final das encenações em 3 de outubro. Então, os participantes da peça foram enfiados num ônibus e despachados para fora do Estado, com a recomendação de não retornarem. Mas, voltando à canção, "Roda Viva" é uma longa e muito bem elaborada composição, com uma melodia soturna que realça e complementa o pessimismo fatalista do poema ("Faz tempo que a gente cultiva / a mais linda roseira que há / mas eis que chega a roda viva / e carrega a roseira pra lá..."). A canção foi defendida no festival e gravada pelo próprio Chico, com o apoio do MPB 4, numa versão que pode ser considerada como definitiva.

Fonte: Livro 85 anos de Música Brasileira Vol. 2, 1ª edição, 1997, editora 34
 

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