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Notas sobre Pedro Pedreiro Por Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello |
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No dia 5 de maio de 1965, chegou às lojas o primeiro disco de Chico Buarque de Hollanda, um compacto simples da RGE que apresentava "Pedro Pedreiro" e "Sonho de um Carnaval". Na ocasião, às vésperas de completar vinte anos, Chico sonhava em cantar como João Gilberto, compor como Tom Jobim e fazer versos como Vinicius de Moraes. Relevando-se a inexperiência do estreante, pode-se afirmar que os sonhos do autor de "Pedro Pedreiro" não estavam assim tão distantes da realidade. Ao longo de sessenta versos, este samba conta as (des)esperanças de Pedro, um operário de obras, que vive esperando por alguma coisa - a palavra "esperando" é repetida 36 vezes no poema - que não acontece, mas, se acontecer pouco ou nada irá influir no curso de sua existência miserável: "Esperando, esperando, esperando / esperando o sol / esperando o trem / esperando aumento para o mês que vem / esperando um filho para esperar também / esperando a festa / esperando a sorte / esperando a morte / esperando o norte / esperando o dia de esperar ninguém / esperando enfim nada mais além..." Marco inicial da carreira profissional de Chico Buarque, o alentado samba "Pedro Pedreiro" seria, então, por ele repetido à exaustão em todas as suas apresentações, por exigência de seus primeiros admiradores.
Fonte: Livro 85 anos de Música Brasileira Vol. 2, 1ª edição, 1997, editora 34 | |||
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