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Várias canções dessa fase revelam um retorno nostálgico, uma busca do primitivo,
do ingênuo, do não contaminado pelo consumismo e pela massificação. Num
certo nível, isso pode significar uma recusa do mundo industrializado: é também
uma forma de poesia de resistência. Mas ao mesmo tempo, há a consciência de
que esse primitivo está perdido para sempre. Assim, em O realejo, o poeta
resolve vendê-lo, mas sabe que ele está desacreditado. Destaca-se um
desencanto precoce, nesse movimento entre o já e o não mais.
"Estou vendendo um realejo
Quem vai levar?
Quem vai levar?
Já vendi tanta alegria
Vendi sonhos a varejo
Ninguém mais quer hoje em dia
Acreditar no realejo
Sua morte, seu desejo
Ninguém mais veio tirar
Então eu vendo o realejo
Quem vai levar?
Hoje em dia já não vejo
Serventia em seu cantar"
Fonte: Desenho mágico, Adélia Bezerra de Meneses, Editora Hucitec, 1982
Parte I - Lirismo Nostágico, página 48
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