Nota sobre Realejo
Por Adélia Bezerra de Meneses

  Letra 

Várias canções dessa fase revelam um retorno nostálgico, uma busca do primitivo, do ingênuo, do não contaminado pelo consumismo e pela massificação. Num certo nível, isso pode significar uma recusa do mundo industrializado: é também uma forma de poesia de resistência. Mas ao mesmo tempo, há a consciência de que esse primitivo está perdido para sempre. Assim, em O realejo, o poeta resolve vendê-lo, mas sabe que ele está desacreditado. Destaca-se um desencanto precoce, nesse movimento entre o e o não mais.

"Estou vendendo um realejo
Quem vai levar?
Quem vai levar?
Já vendi tanta alegria
Vendi sonhos a varejo
Ninguém mais quer hoje em dia
Acreditar no realejo
Sua morte, seu desejo
Ninguém mais veio tirar
Então eu vendo o realejo
Quem vai levar?

Hoje em dia já não vejo
Serventia em seu cantar"

Fonte: Desenho mágico, Adélia Bezerra de Meneses, Editora Hucitec, 1982
Parte I - Lirismo Nostágico, página 48