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E - E Olê, olá, fica precisamente dentro dessas características? Nada, nem uma modinha que você lembrasse uma imagem de infância o inspirou em Olê, olá?
C - Deve ter inspirado sem eu saber, inconsciente, não sei racionalizar assim o processo.
E - E como você julga Olê, olá no contexto das suas músicas, já que é tão louvada por todos e é realmente uma beleza?
C - Acho que é a filha do Pedro pedreiro mais crescida, por outro lado. Não sei explicar bem. Porque é uma música que eu fiz pouco depois de Pedro pedreiro, mas que eu não cantava porque não tinha certeza. Essas músicas que a gente não tem certeza que eu acho que são as melhores, porque tem alguma coisa nova. Acho que ela trazia uma coisa além do Pedro pedreiro. Porque eu não quero fazer a música parecida com a que eu fiz, só porque foi boa, tô querendo fazer uma coisa diferente. Ao mesmo tempo eu tenho medo dessa coisa diferente. Eu lembro que fiquei uns três, quatro meses sem mostrar para ninguém. Um dia na casa do Roberto Freire toquei e gostaram, depois que comecei a ter certeza.
E - Será que você poderia exemplificar o Olê, olá? Já que foi considerado por uma boa parte da crítica uma das suas obras primas... Ela foi primeiro só instrumental e a letra veio depois?
C - Letra e música sai ao mesmo tempo. Eu tenho muita música sem letra, porque eu acabo a música e não saiu nenhuma idéia junto, então a música fica encostada. Todas aquelas músicas do Morte e vida severina eu quis aproveitar e colocar uma letra e usar, mas nunca consegui.
Entrevista para O Museu da Imagem e do Som, 11/11/66
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