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"Ele era, e continuaria sendo, incapaz de compor à vista de outras pessoas. 'Não sei fazer na
frente dos outros', explica, 'tenho um certo pudor'. (Há notícia de uma solitária exceção em sua
obra: a letra de Atrás da porta. Francis Hime lhe mostrou a música em Petrópolis, numa noite
em que havia muita gente e se bebia bem, e Chico foi fazendo os versos no meio da algazarra,
como um compositor de filme americano. Mas depois de 'reclamar baixinho' não saiu mais
nada. No dia seguinte também não. Foi preciso que Elis gravasse até aquele ponto para que
Chico, ouvindo a música, arrematasse a letra: 'Dei pra maldizer o nosso lar.') Na casa da Rua
Buri, a porta de vidro da sala de jantar lhe assegurava a sensação de estar sozinho - embora,
segundo Ana, toda a família já soubesse a música de cor quando ele saía de lá, exultante para
mostrá-la.
© Copyright Humberto Werneck in Chico Buarque Letra e Música, Cia da Letras, 1989
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