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"Em A televisão - crítica a esse emblema da sociedade industrializada - traça-se
o processo de desumanização na cultura de massas da atualidade, mundo da
mecanização, em que as relações interpessoais fenecem, em que as emoções
vitais cedem lugar às enlatadas. Aqui também se pode apontar o percurso
nostálgico do já ao não mais:
"Os namorados já dispensam seu namoro
Quem quer riso, quem quer choro
Não faz mais esforço não
E a própria vida
Ainda vai sentar sentida
Vendo a vida mais vivida
Que vem lá da televisão"
Aqui, evidentemente, há crítica social, não um mero saudosismo. Mas crítica feita
com um registro de nostalgia - como se a situação anterior, o passado, é que
fosse bom. Não há esperança, não há futuro. No entanto, repito, repontam aqui os
germes de aguda crítica social (presente também em O velho e Ano Novo) - que
caracterizará Chico Buarque numa fase posterior de sua produção."
Fonte: Desenho mágico, Adélia Bezerra de Meneses, Editora Hucitec, 1982
Parte I - Lirismo Nostágico, página 49
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