A situação só desanuviou no fim o ano, quando Chico, que estava sem contrato -- depois do fracasso do disco na Itália, a RGE resolvera não renovar --, assinou com Philips. "Foi a salvação da lavoura", rememora. Recebeu um adiantamento de 90 mil cruzeiros novos, que correspondiam a 21 400 dólares. Em compensação teve que fazer um disco a toque de caixa. Manuel Barenbein, que havia produzido seu dois primeiros LPs, foi para a Itália preparar mais um. Chico se lembra da correria que foi: "Manuel Barenbein ali, eu aqui com o violão, fazendo as músicas. Depois ele trazia para o Brasil, fazia as bases, levava de volta para a Itália e eu colocava a voz", conta. O sufoco da produção não explica todo o seu desgosto diante desse LP. Diz que aceitou fazê-lo porque "era mesmo o leites das crianças". Ele o vê como um disco de transição e impassse, o que lhe parece estar um pouco implícito na faixa Agora falando sério:

Agora falando sério
Eu queria não cantar


© Copyright Humberto Werneck, Gol de letras, em Chico Buarque Letra e Música, Cia da Letras, 1989

Entrevista para O Som do Pasquim, 1975
(entrevista completa)

Entrevista para Geraldo Leite, Rádio Eldorado, 1989
(entrevista completa)