O mandarim
Chico Buarque - 1995

O filme conta a história da música popular brasileira desde a primeira metade do século, centrado na figura mítica do cantor Mário Reis, interpretado pelo ator Fernando Eiras. A sua vida solitária e misteriosa, seus afetos, seu especialíssimo repertório servem de pano de fundo para esse filme todo ele rodado no Rio de Janeiro, sobretudo no Copacabana Palace, onde Mário Reis sempre morou.
Para narrar essa história participam alguns dos principais compositores e intérpretes brasileiros, como Gilberto Gil, Gal Costa, Edu Lobo, Raphael Rabello, Chico Buarque, Caetano Veloso, não apenas como atores mais como responsáveis por 80 % da trilha sonora. Eles vivem na pele de outros grandes mestres da MPB, como Sinhô, Tom Jobim, Noel Rosa, Ismael Silva, Carmem Miranda e Villa Lobos.
No elenco destaca-se a participação expressiva de Giulia Gam, no papel de uma médica ousada e culta que exerceu grande fascinação sobre Mário Reis, e o cantor compositor Gilberto Gil, no papel do precursor do samba no Brasil, o compositor Sinhô, que teve papel fundamental na carreira de Mário Reis. O filme é pontuado de imagens, textos, direção de atores e chistes, que sobrepõem intencionalmente passado e presente.
O mandarim tem também importância documental histórica: é a única aparição do violonista Raphael Rabello e do ator cômico Costinha, ambos falecidos este ano.

Estrutura do filme (para cinéfilos)

O filme é uma superposição de recriações de vários signos. Nele, o disco de 78 RPM ou o microfone são tão personagens quanto Mário Reis. E suas relações com a vida ou com o nascimento do cinema estão presentes nas referências ao Cinema Mudo de Edson e dos irmãos Lumière, na postura dos atores, que se relacionam com a câmera do modo contido, desajeitado e artificial dos primórdios, e ainda na própria textura da fotografia em variadas referências. O MANDARIM é todo pontuado por esse "ver através do início". Nesse universo cabem a citação da primeira filmagem feita no Brasil pelos irmãos Segretto, em 1897, de dentro do Vapor Brésil - cena vivida por Gal Costa, ou a citação de Cidadão Kane, de Orson Welles a seqüência inicial com o cine-jornal News on the March, como um jornal da tela desfocado debruçado sobre a praia do Leblon, ao final, uma imagem rara de Mário Reis capturada por um cinegrafista amador tá revelia do cantor, dá um fecho documental ao filme.


Ficha Técnica

Roteiro e direção:
Júlio Bressane
Diretor de fotografia:
José Tadeu Aguiar
Montagem:
Gilberto Santeiro
Diretor de arte:
Roberto Granja
Produtor executivo:
Cassio Maradei
Assistente de direção:
Rosa Dias
Tande Bressane

Diretor de produção:
Raquel Couto
Som direto:
Toninho Muricy
Foto de capa:
Renato Menezes
Estúdio de som:
Rob Filme
Um filme com:
Fernando Eiras
Giulia Gam

Participação especial:
Gal Costa
Gilberto Gil
Raphael Rabello
Rubens Santos
Chico Buarque
Edu Lobo
Caetano Veloso

Atriz convidada:
Renata Sorrah
E mais:
Costinha
Paschoal Villaboim
Daniela Arante
Catarina Abdala
Drica Moraes
Noa Bressane
João Rebelo
Sharon Mattos